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Posts Tagged ‘magia prática’

Aisatsu

Em continuidade ao post da semana passada, seguimos com o tema Como Estudar Magia, ou Da Metodologia da Pesquisa em Ciências Ocultas.

Naquela ocasião, foi lançada a pergunta se vocês querem mesmo estudar magia, estudar no sentido lá apresentado. Se vocês retornam hoje aqui, suponho eu que seja porque responderam afirmativamente àquela questão. Assim sendo, hoje veremos efetivamente como estudar magia. (mais…)

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Aisatsu

Com este Tratado, damos início à série de posts mais práticos que havia prometido algum tempo atrás. Os textos serão escritos de forma pedagógica, e de forma geral para a específica. Ou seja, serão textos simples e de fácil assimilação, e falarão sobre a prática de magia em geral, podendo ser aproveitada para qualquer escola, tradição ou sistema de ciências ocultas, mas também falarão de magia oriental, especificamente, já que esta é a proposta deste blog.

Feita a apresentação, daremos início à exposição do tema: Como Estudar Magia, ou Da Metodologia da Pesquisa em Ciências Ocultas.

Vocês me perguntam, agora: tá, mas não era para ser magia prática?

Eu respondo: ora, pequenos gafanhotos, antes de se praticar qualquer coisa, vocês têm que ter o interesse de aprender a praticar essa coisa. E para isso vocês tem que estudar. Eu pergunto agora: vocês são estudantes de magia?

Respondam mentalmente, enquanto eu ilustro a situação de vocês com o seguinte exemplo: vamos trocar magia por culinária, mago por cozinheiro, e fazer magia por cozinhar, práticas mágicas por receitas, e assim por diante.

Vocês leram algum dia sobre culinária, leram alguma coisa escrita por cozinheiros famosos e antigos, que já faleceram. Vocês ficaram fascinados com as receitas que encontraram e que são apresentadas por esses cozinheiros e resolvem que querem fazer as mesmas receitas também e que vocês querem ser chefs de cozinha.

Ótimo, parabéns! Até aí, perfeito! Vocês fizeram uma escolha, e passaram agora a ler centenas de blogs da atualidade sobre culinária, de autoria de supostos cozinheiros. Vocês descobriram que existem trocentos tipos diferentes de culinária: culinária italiana, culinária japonesa, culinária indiana, culinária mexicana. Cada uma se propõe a fazer tipos diferentes de comida, com base em ingredientes que são encontrados nas localidades específicas que aquele tipo de culinária se originou.

Construído esse cenário, eu pergunto para vocês: vocês são estudantes de culinária? A resposta é não. Vocês não são estudantes de culinária, ou aprendizes de cozinheiro, vocês são apenas curiosos. Mas isso não impede que vocês peguem alguma receita e tentem fazê-la na cozinha, não é verdade? Então vocês resolvem ir para a cozinha para colocar alguma receita em prática.

Vocês resolvem fazer daifuku, o doce japonês de arroz glutinoso com recheio de feijão azuki, cuja receita eu já apresentei aqui. Vocês vêem os ingredientes e descobrem que vão precisar de farinha de arroz glutinoso. Vocês vão ter que ir atrás desse arroz glutinoso para fazer a receita, senão ela não vai dar certo. Não adianta usar farinha de trigo, ou farinha de arroz “comum”que encontramos no supermercado. Da mesma forma, vocês vão precisar de feijão azuki. Não é feijão preto, nem feijão marrom, feijão branco ou feijão vermelho. É feijão azuki. Simples assim.

Enfim, obtido os ingredientes, vocês vão seguir a receita. Provavelmente na primeira vez não vai dar certo. E a segunda também não. Vai levar um tempo até vocês acertarem, até que finalmente vocês conseguem fazer um daifuku que não cause indigestão e diarréia em ninguém. Mas, durante esse processo todo, vocês descobriram algumas coisas interessantes, como, por exemplo, vocês precisam dos ingredientes certos, precisam usar as panelas e utensílios corretos e precisam seguir as medidas à risca. Mas isso todo mundo sabe, vocês dizem para mim. Pois é, sabem, mas ignoram. Quantas vezes já vi gente trocar manteiga por margarina, fermento biológico por químico, e depois reclamar que a receita não deu certo? Mas vocês não são como essas pessoas, vocês são atentos e vão observar o seguinte:

– existem trocentas receitas diferentes para daifuku, com medidas diferentes e métodos de preparo diferentes. Isso varia por causa do cozinheiro. Afinal, o que é uma receita? É uma fórmula que um cozinheiro anotou após obter um resultado anteriormente, para que ele possa obter o mesmo resultado novamente. Se você não está aprendendo direto com o cozinheiro, ou não tem um cozinheiro para te ensinar, vai ser complicado acertar a receita de cara sozinho. Alguns conseguem, outros levam duas ou três tentativas, mas acertam. Só que, se você tem todos os ingredientes certos, com todas as medidas corretas, e não conseguiu acertar, o problema está na receita.

– dependendo de onde vocês tirarem a receita, vocês vão descobrir que ela está errada e que não funcionará (a receita de daifuku que eu peguei é um exemplo disso; a prática me ensinou as alterações que eu tive que fazer [acrescentar mais açúcar no mochi, esperar mais tempo para o azuki cozinhar] e os detalhes que eu tive que observar [não usar panela antiaderente] para ela dar certo). Existem trocentos blogs e livros sobre culinária por aí. Alguns escritos por cozinheiros de verdade. Outros, escritos por meros curiosos, assim como vocês, mas com a diferença de que eles nunca fizeram uma receita na vida. Essas receitas que não dão certo vocês vão encontrar nos blogs e livros destes últimos aí. Isso acontece porque, caso esses fizessem uma receita na prática, eles saberiam que ela não funciona, assim como vocês descobriram.

Agora vocês me interrompem e perguntam: como é que eu vou saber se uma receita está errada se eu estou recém começando a fazer receitas e não sou um chef de cozinha ainda? Ora, meus pequenos gafanhotos, eu respondo para vocês que esta é exatamente a diferença entre um curioso e um aprendiz de cozinheiro!

Acompanhem-me no raciocínio: retornem à receita de daifuku que eu passei e tentem fazê-la usando metade da quantidade de água. Ou melhor. Usando algo do cotidiano de vocês: tentem fazer uma porção de arroz usando metade da água que vocês costumam usar, ou acrescentem o dobro de água. Vai dar certo? Vocês percebem quando uma receita não dá certo quando ela não tem os resultados prometidos pelo cozinheiro que a elaborou.

Retornando brevemente à magia e trocando as figuras, nós temos o seguinte: sim, é possível saber se um ritual não dá certo, ou seja, não atingiu os resultados prometidos pelo suposto mago por problemas na própria elaboração do ritual, na receita dele, e não por falha do neófito. Claro, alguns rituais são de efeito mediato, ou seja, você não verá os resultados dele agora. Mas, ora! Estamos começando, não é mesmo? Estamos começando a fazer magia, e vocês já querem fazer rituais elaborados? Vocês nem sabem se falharam por erro de vocês ou porque pegaram um ritual de um charlatão e já querem fazer rituais elaborados?

Informação para os curiosos de magia ocidental que se arriscaram a fazer alguma prática: o Ritual Menor do Pentagrama (RmP), o básico do básico da Golden Dawn, que era ensinado aos neófitos, traz sim efeitos imediatos. Se você faz o ritual no automático, apenas diz as palavras, faz as posições, e não sente nada de nadinha de nada, meus pêsames, procure outra atividade porque como magista você não serve. Se você faz o ritual como se estivesse atuando em uma peça de teatro e vê luzes coloridas piscando em neon e diz que os anjos falam com você, interne-se, você precisa de tratamento psiquiátrico urgente. Você não sabe o que o Ritual Menor do Pentagrama deve trazer de resultado? Então você deve deixar de ser um mero curioso e passar a ser um estudante de magia!

Certo, retomando o nosso exemplo, o que isso quer dizer para vocês? Vocês podem até ser meros curiosos no início, mas no momento que vocês colocam em prática, vocês obtêm um conhecimento que um curioso jamais terá! Esse conhecimento obtido irá impulsioná-los a aprender mais para melhorar aquela receita, e fará com que vocês busquem também novas receitas mais elaboradas para fazer. Talvez vocês não queiram ser chefs de cozinha, mas passarão a ser estudantes de culinária, isso porque terão interesse em aprender a cozinhar e em fazer algumas receitas com proficiência.

Se você chegou até aqui, já deve ter se esquecido porque comecei a falar disso. Vou repetir a pergunta que abriu este ponto para evitar que você tenha que subir a barra de rolagem:

Eu respondo: ora, pequenos gafanhotos, antes de se praticar qualquer coisa, vocês têm que ter o interesse de aprender a praticar essa coisa. E para isso vocês tem que estudar. Eu pergunto agora: vocês são estudantes de magia?

Após terem lido o exemplo metafórico acima, perguntem novamente para si mesmos: vocês são apenas curiosos ou são estudantes de magia? Vocês apenas lêem por achar interessante, ou vocês estudam porque têm interesse de fazer alguma prática?

Vocês podem continuar a ser curiosos, não há problema nenhum nisso. O estágio anterior a um estudante é o curioso e o exemplo acima mostrou isso. Todo magista já teve algum dia curiosidade, senão, sequer teria desenvolvido o interesse em aprender. Mas estudar magia por curiosidade não existe.

Qualquer conhecimento sem utilidade prática é mera curiosidade enciclopédica. Ou vocês acham que uma pessoa formada em medicina sem nunca ter exercido a profissão é um médico de verdade? E uma pessoa que leu tudo sobre culinária e nunca cozinhou nada na vida?

O primeiro exercício deste Tratado de Magia Prática que inicio será exatamente este: definam o que vocês querem para vocês. Querem mesmo estudar e colocar em prática, ou apenas serem curiosos?

Semana que vem, como mencionado, abordarei mais sobre a figura do estudante de magia e, efetivamente, como estudar magia. Pensei em escrever “como estudar magia com aplicação prática”, mas, após o post de hoje, espero que vocês tenham percebido que escrever isso é redundância.

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Aisatsu~

A cor vermelha é predominante no oriente. Seja no Japão ou na China, sempre encontramos elementos tradicionais que marcam suas culturas pintados com essa cor. Os templos xintoístas geralmente são vermelhos; os nós chineses são preferencialmente atados com fio de seda vermelho, e no Feng Shui, três moedas chinesas amarradas com fio vermelho atraem prosperidade. O que significa a cor vermelha para os chineses e japoneses? (mais…)

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Aisatsu yo~

Chegamos à última parte dos posts sobre a comemoração de Oshougatsu. Antigamente, o calendário japonês era o lunissolar, como o chinês, que ainda hoje se mantém. De acordo com esse sistema de contagem de tempo, o ano novo geralmente coincidia com o período que atualmente corresponde à segunda quinzena de janeiro. Por causa disso, as celebrações que conheceremos hoje ocorrem após o Ano Novo que festejamos. (mais…)

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Foi no ano de 538 D.C que o Budismo se introduziu no Japão. Junto com ele, vieram as estátuas de Buda, antigos sutras, bem com o incenso. Daquele momento em diante, o incenso de tornou uma parte inseparável da história japonesa e seu uso se espalhou pelo país. (mais…)

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Um dos maiores festivais do budismo ocorre no 15º dia do 4º mês do calendário chinês. Essa data, tendo em vista que o calendário chinês é lunisolar, sempre corresponderá ao plenilúnio, razão pela qual também é chamado de “a Lua Cheia de Maio”. Estamos falando do Festival de Wesak, que neste ano ocorre no dia 17 de maio do calendário gregoriano. (mais…)

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O Sutra do Coração é um dos principais sutras do budismo Mahayana. É um trecho do Sutra da Perfeição da Sabedoria. A seguir, o sutra em japonês, em sânscrito e a sua tradução em português; mas, antes, uma pequena observação…

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